Este texto procura mostrar um pouco sobre as valências físicas que são importantes para a prática do Surf. A ideia é lhe dar um “norte” sobre como treinar e o que focar no seu treinamento fora da água.

O surf é um dos esportes que conquistaram mais adeptos nos últimos anos. Além de ter se tornado esporte olímpico para as próximas olimpíadas. No Brasil está em grande ascensão, e já tem atletas de referência mundial, um deles é Gabriel Medina. Atleta esse que tem preparador físico e se prepara dentro e fora da água. Assim como outros grandes atletas do esporte. Antigamente pensava-se que apenas o treinamento na água era o suficiente, hoje já sabemos a importância da preparação física também fora da água.

A especificidade do treinamento para o surfista depende de algumas variáveis, distância até o “outside”, tempo de remada, tempo parado, número de ondas surfadas. Essas variáveis dependem muito do local em que está surfando e também de fatores climáticos. No mar do Rio Grande do Sul normalmente há uma necessidade de remar mais tempo para passar a arrebentação, devido a maiores influências de corrente e ventos da região. Necessitando de uma resistência maior de membros superiores para conseguir chegar no “outside”.

Em um estudo de 2001 de Brasil e colaboradores, sobre tempo dos surfistas, encontrou que 54,4% é na “remada”, 27,8% “parado” e 3,7% seria na onda realmente. Com resultados parecidos, um estudo de Carlet e colaboradores de 2007 encontrou que em ilhéus na Bahia os surfistas ficaram 53% do tempo “remando”, 23% “parado” e 16% na onda. Nesse mesmo estudo em São Francisco, Santa Catarina encontrou que os surfistas ficaram 57% do tempo “remando”, 26% “parado” e 11% na onda. Nesse mesmo estudo foi encontrado que a frequência de braçadas na remada de aproximação permaneceu em torno de 96 braçadas por minuto, ou seja, 1,6 braçadas por segundo e durante a remada de ataque à frequência média aumentou para 180 braçadas por minuto ou três braçadas por segundo.

No estudo de Vaghetti e colaboradores de 2007, que analisou o tempo de reação auditivo e visual em surfistas de diversos níveis, encontraram que o tempo de reação simples é menor em atletas profissionais em comparação com atletas amadores e praticantes. E que os vencedores das etapas analisadas foram justamente os que tinham o melhor tempo de reação simples.

Trouxemos esse estudo para salientar a importância de treinar a velocidade de reação e a tomada de decisão. Pois como visto acima, existe uma relação significativa entre essas valências e o desempenho. Em breve colocaremos algumas sugestões de exercícios e com certeza terá sugestões de exercícios para melhora da velocidade de reação.

É importante lembrarmos que o surfista precisa de força explosiva. Então podemos dizer que uma corrida na mesma velocidade por muito tempo NÃO será eficaz. Corridas assim gerariam uma perda de agilidade e de capacidade de troca de direção rápida. O ideal é fazer um treinamento intervalado, com muitas variações de intensidade. Trabalhar saltos, corridas e alta velocidade com intervalo de recuperação com exercícios mais leves (simulando o que ocorre no surf, remada, surf na onda e retorno lento para a arrebentação). Então trabalhar a força explosiva para movimentos similares a remada e ao drop. Uma série de remada em velocidade, alguns “burpees” (apoio seguido por salto) e depois estabilizar na prancha de equilíbrio por exemplo.

Outra forma de trabalhar a força explosiva é através da força reativa através de saltos em caixas e caixotes (pliometria). Que segundo Bompa em 2004 é definida da seguinte forma, método que tem como objetivo desenvolver a potência muscular em atletas. Essa potência representa o componente principal da boa forma física, que pode ser o parâmetro mais representativo do sucesso nos esportes que requerem força rápida.

Acredito que cada surfista deve avaliar qual o seu “ponto fraco” para focar o treinamento da evolução da sua necessidade. Quem pode surfar todos os dias, consegue colocar a “remada em dia”, e no treino fora da água consegue focar a prevenção de lesões e treinamento de equilíbrio, posturas técnicas de manobras e treinamento de força explosiva para o “drop” e manobras que exijam rápida troca de direção e velocidade de reação. Já quem mora relativamente longe do mar (e vai à praia eventualmente), tem que treinar a remada e resistência de braços, mas também tem que treinar lombar, abdômen e posterior de coxa para “aguentar” a postura de remada, evitar câimbras e desconfortos no inverno.

Citamos aqui algumas valências importantes a serem treinadas no surf. Lembramos que o ideal é que você tenha um acompanhamento de um profissional de educação física para lhe auxiliar no seu treinamento. Nosso objetivo com esse texto é apenas mostrar as características físicas do surf. No parágrafo acima demos exemplos de casos, mas lembro que seria apenas o foco para cada caso, pois no surf o importante é realizar um treino geral, afinal o surf é sensacional justamente por trabalhar todo o corpo integrado com a natureza.

Revisão de literatura de Rafael Pereira Personal – Florianópolis

Página do facebook Personal Rafael Pereira

BOMPA TO. Treinamento de potência para o esporte. São Paulo: Phorte, 193 -2004

BRASIL FK, ANDRADE DR, OLIVEIRA LC, RIBEIRO MA, MATSUDO VKR. Freqüência Cardíaca e Tempo de Movimento durante o Surfe Recreacional – Estudo Piloto. Revista Brasileira de Ciência e Movimento, v.9, n.4, p. 65-75 -Outubro de 2001

CARLET R; FAGUNDES AL; MILISTEDT M. Variáveis fisiológicas de competidores participantes do campeonato brasileiro de surf amador. Revista digital EF Deportes – Ano 12 – Nº114 – Novembro 2007

VAGHETTI CAO, ROESLER H, ANDRADE A. Tempo de reação simples auditivo e visual em surfistas com diferentes níveis de habilidade: comparação entre atletas profissionais, amadores e praticantes. Revista Brasileira de Medicina Esporte – Vol. 13, Nº2 – Mar/Abr, 2007

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