As redes de pesca são um perigo constante para surfistas das praias gaúchas. Já são 49 casos de óbito desde a década de 80 até os dias atuais. Atualmente existe áreas demarcadas para surf e pesca. O grande problema é que no Rio Grande do Sul não há baías ou penínsulas, fazendo com que a corrente seja muito mais forte do que em outras regiões litorâneas do Brasil. Então você pode entrar na área de surf e acabar parando em uma área de pesca que tenha uma rede. Para tentar evitar que isso ocorra com você, citamos abaixo um relato ocorrido e algumas dicas para você se prevenir.

Um breve relato de quem já caiu em uma rede e sobreviveu.

Na páscoa de 2003, estava com um grupo de amigos na praia de Arroio Teixeira-RS, estava um dia frio e nublado. Aqueles dias com pouca visibilidade. Entramos em grande grupo no mar numa área que teoricamente era para ser o início da área de surf, do grande grupo, ficamos só em 2 para trás. Demoramos mais para passar a arrebentação e fomos levados pela correnteza lateralmente por mais tempo que os outros. Quando dou um “joelhinho” para passar por baixo da onda e não consigo retornar para a superfície pois me deparei com uma rede de pesca. Tentei subir com toda a força, tentei erguer o rosto para pegar ar ou pedir socorro e quase não senti a superfície, tentei rasgar a rede com toda a força com as mãos (tive cortes leves nos dedos). Na época havia um comentário na Atlântida do surfista Cristiano Figo que indicava que se você cair numa rede dessas, o ideal era soltar o leash para tentar desprender um pouco da rede. Então foi o que eu fiz. Comecei a nadar submerso lateralmente, quando senti o cabo de aço, puxei com toda força e voltei para a superfície. Fiquei respirando um tempo agarrado. E depois tive a ajuda de um brother para “pular” por cima da rede. Para evitar que a corrente nos jogasse para dentro da rede novamente. Então subi na prancha dele e saí do mar junto com ele. Esperamos os pescadores voltarem para tentar tirar minha prancha que estava submersa na rede. Eles não gostaram muito, mas aguardamos o restante do grupo sair do mar e em 10 pessoas conseguimos tirar a rede e recuperar a prancha. Naquele momento que você vê a prancha toda “engruvinhada” na rede, você pensa que podia ser você, é um pouco chocante. Então peço a todos que tenham toda cautela e precauções para evitar que acidentes assim aconteçam. Fiquei uns 3 ou 4 anos sem surfar no inverno.

Quem cai na rede de pesca?

Normalmente quem caí na rede de pesca é quem demora mais para passar a arrebentação, pois fica mais tempo na zona de risco e também por ser arrastado lateralmente mais tempo pela corrente. Mas isso não é regra, pois você pode estar na hora errada e no local errado.

O que fazer para evitar de cair nas redes de pesca?

Importante sempre caminhar na beira da praia, procurando visualizar locais que tenham cabos, cordas ou calões presos na areia que estendem-se mar a dentro. Procure sempre surfar em grupo, ou pelo menos, onde já tem alguém surfando. Não surfe em áreas de pesca. Procure surfar sempre nas áreas especificas para surf, mas mesmo assim tenha cautela. Abaixo citaremos alguns locais que são específicos para surf.

As áreas de Surf no litoral gaúcho:

Tramandaí: Plataforma de pesca até a barra (em torno de 2km)

Imbé: Da Rua Garibaldi até rua Dom Pedro I (em torno de 2km)

Xangri-la e Atlântida: Da Rua Jacuí até a divisa do município com Capão da Canoa (em torno de 3km)

Torres: Todas as praias são destinadas ao banho e Surf, ou seja, as praias da Guarita, Cal, Prainha, Grande e os Molhes são áreas para surfar.

Mas se mesmo assim, o pior ocorrer… e você cair na rede de pesca, como agir?

É difícil, mas tente manter a calma. Se conseguir acene por socorro. Um detalhe que pode ser fundamental em alguns casos, é soltar o Leash. Posso relatar que foi isso que salvou a minha vida uma vez.

Espero que tenhamos contribuído com seu surf. Tenha cuidado e boas ondas a todos!

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